, o vapor

“todos se foram, tudo eram formas de origem desconhecida / as cores eram vermelhas, minhas palavras foram abafadas e me faltaram / eu me fui é isso, o vapor”

A fotografia nomeada “, o vapor” retrata uma silhueta humana com o busto quase estático e a cabeça em movimento, deixando sua forma e o próprio rosto ininteligíveis. Essa ininteligibilidade relaciona a fotogra­fia com o relato em “tudo eram formas desconhecidas” e com o confuso final do relato, “o vapor”. Esse desfoque causado pelo movimento faz a relação com os valores definidos anteriormente.

Suas cores foram trabalhadas de forma que expressassem a parte do relato que diz “as cores eram vermelhas”. O vermelho é uma cor intensa, pode estar relacionado com o medo do Pedro perante uma situação de desrealização, não há como confirmar esse significado para ele pois é uma subjetividade dele a que não se tem como acessar.

Não há simetria na fotografia. O elemento visual principal está enqua­drado à esquerda, deixando uma sombra na parede atrás, à sua direita. O texto foi adicionado no canto inferior direito da composição, com opacidade de 60% para não haver um contraste muito forte que pudes­se tirar a atenção do restante da imagem.

 

Ao caos

“SOCORRO SOCORRO SOCORRO EU TÔ ASSUSTADO POR FAVOR ME DEIXA FICAR BEM / eu tô derretendo  / eu quero me matar mas eu tô com medo”

“Ao caos” foi composta a partir de uma fotografia em longa exposição, com sobreposição de seu negativo de modo que originasse as cores dramáticas que são vistas na imagem final. A imagem é caótica, a in­tensidade das cores, que provoca um efeito quase psicodélico, tenta trazer novamente um visual onírico à imagem. Na imagem original foi diminuída a clareza da foto, que adiciona brilho, diminui o contraste e dá um leve desfoque, também pensando no onirismo.

O movimento capturado na longa exposição se relaciona com a sen­sação de derretimento relatado pelo Pedro em seu diário. O texto foi posicionado no canto superior direito, fazendo oposição ao eixo visual criado entre o rosto do indivíduo e o celular em sua mão.

âncora

“Eu assisti minha realidade ficar presa atrás de vidro ondulado, que estava agora na frente dos meus olhos e não importava o quanto eu chacoalhasse a cabeça, ela não calibraria de volta para minha vida.”

“âncora” traz o confronto baseado em duas cores: o vermelho, que Pe­dro diz se repetir em suas crises, e o verde, que é complementar ao vermelho e faz a composição ficar mais agressiva ao confrontá-lo. A fotografia também é dividida em duas: a parte real, em frente ao espe­lho, mantém as características do mundo físico, embora o brilho tenha intensificado para tornar toda a cena mais onírica, enquanto a parte que o “real” visualiza tem suas cores modificadas enquanto atrás de uma camada distorcida. Nessa parte surreal, os olhos e a boca do indi­víduo foram mantidos sem as cores modificadas e sem distorção, para indicar o real que ainda existe na mente de Pedro, mesmo enquanto em desrealização, como uma âncora que o mantém ligado à realidade do mundo físico.

O texto foi posicionado no canto inferior esquerdo. Esse texto não pro­vém de um relato do diário, mas de parte da entrevista em que Pedro fala sobre suas primeiras experiências com o distúrbio.